Muere Vicente Jorge Silva. Adiós a un grande de la Comunicación

Periodista y cineasta, personaje público de grande prestigio, gran comunicador, director y fundador del diario "Público", cuyo lanzamiento en su día fue de tremendo impacto en el mundo de los mass-media en Portugal... murió esta pasada madrugada, Vicente Jorge Silva.  El mundo del Periodismo portugués queda ahora más pobre.


O primeiro director do PÚBLICO, Vicente Jorge Silva, morreu na madrugada desta terça-feira. Quem quiser fazer a história da imprensa portuguesa não poderá deixar de falar nele. Relançou e dirigiu o Comércio do Funchal, criou e dirigiu a Revista do Expresso, co-fundou e dirigiu o PÚBLICO. E todos estes projectos foram inovadores, marcantes. Além do jornalismo, abraçou o cinema.
Talvez o seu maior desafio profissional tenha sido o lançamento do PÚBLICO, que chegou às bancas no dia 5 de Março de 1990. Foi um dos momentos “mais dolorosos” da sua vida, segundo contou a Isabel Lacerda, numa entrevista publicada na revista Sábado, a 8 de Janeiro de 2008. “Aquilo devia ter saído em Janeiro, mas acabou por sair só em Março: não havia as máquinas para imprimir, a ligação entre Lisboa e Porto não estava pronta... Eu, que nunca tenho dores de cabeça, nos meses que precederam o lançamento tinha-as todos os dias. O meu estado natural era a enxaqueca.”

A ideia fora sua. Juntaram-se-lhe, em Lisboa, Jorge Wemans, Augusto M. Seabra, Henrique Cayatte, José Manuel Fernandes, José Vítor Malheiros, Nuno Pacheco e, no Porto, Joaquim Fidalgo e José Queirós. Todos jornalistas do Expresso. Queriam fazer um diário de referência, moderno, europeu. Andaram mais de um ano a discutir. Na introdução do Livro de Estilo do PÚBLICO, Vicente apresenta o que idealizaram: um jornal com um estilo próprio que “integra os grandes princípios fundadores do jornalismo moderno — adoptados pelos jornais de referência em todo o mundo, do The Washington Post e do The New York Times ao La Repubblica, El País, Le Monde ou The Independent — e uma nova sensibilidade para captar e noticiar os acontecimentos, que caracteriza um jornal como o Libération” .

Estava tudo a mudar. “O PÚBLICO nasceu num momento crucial de transição entre dois mundos: o mundo pré-Internet e o mundo pós-Internet, no centro nevrálgico de uma revolução tecnológica, cultural e social que alterou decisivamente o rumo das nossas vidas e hábitos quotidianos”, explicou, no editorial que assinou no 28.º aniversário do jornal, encarnando a figura de director por um dia. Era a sua idade ao mudar-se do Funchal para Lisboa.

Vicente nasceu no Funchal no dia 8 de Novembro de 1945. Cresceu na Baixa, mesmo ao lado de um estúdio fotográfico, o Fotografia Vicente, criado pelo bisavô Vicente Gomes da Silva, em 1846. O avô Vicente Júnior fora fotógrafo. O pai, Jorge Bettencourt Gomes da Silva, era fotógrafo. O tio, Vicente Bettencourt Gomes da Silva, também era fotógrafo. E ele andava por ali, entre cenários, máquinas fotográficas, livros de técnicas fotográficas e mobiliário de atelier. O atelier intrigava-o. Era como se ele fosse a Alice e o atelier o País das Maravilhas.
Terá começado aí a sua paixão pelo cinema. Adorava assistir a matinées e soirées. Aos 15 anos, escrevia crítica de filmes para maiores de 17. Findo o 5.º ano (actual 9.º), o reitor do Liceu Nacional do Funchal, hoje Escola Secundária Jaime Moniz, convidou-o a deixar o estabelecimento. Se o pai o matriculasse, faria chegar informação comprometedora à polícia política.

Durante um par de anos, viveu fora do país. Trabalhou numa fábrica de cola em Paris, lavou pratos em Londres, acartou lixo e colchões num hotel de Bournemouth. Ainda foi jardineiro e cuidador de idosos antes de regressar à ilha. Decorria 1966. A Guerra Colonial travava-se em várias frentes e ele podia ter ido lá parar. Os maus ouvidos livraram-no do serviço militar obrigatório.

(Obituario de Ana Cristina Pereira, in publico.pt.










Encima : algunas portadas de "Público" en la etapa de su fundador-director