Este viernes, Indignu [lat] & convidados, en otra de las noches mágicas del "Diogo Bernardes"

Desde Barcelos llega una apuesta por la melancolía y la esperanza
A 11 de Janeiro, às 21h30, no Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima, Indignu [lat] & convidados apresentam o mais recente trabalho da banda, Umbra.
Com a banda, com músicos extra, estarão os convidados de luxo Manel Cruz, Ana Deus, Edgar Ferreira e Ruca Lacerda.
Bilhetes à venda (4,00€) e mais informações na Bilheteira do Teatro Diogo Bernardes e/ou pelo email teatrodb@cm-pontedelima.pt e pelo telefone 258 900 414.

El teatro "Diogo Bernardes", de Ponte de Lima, acoge en la noche de este viernes, otro gran concierto. De esta vez, la oportunidad se presenta para un grupo musical joven, que ya ha aportado cosas muy interesantes en el actual panorama de la música portuguesa. Desde Barcelos llegan en otra de las noches mágicas del "Diogo Bernardes" quienes se presentan como Indignu&convidados, en una espectacular propuesta llamada a calar hondo en el público que espera llene otra el acogedor teatro municipal de Ponte de Lima.
A 11 de Janeiro, às 21h30, no Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima, Indignu [lat] & convidados apresentam o mais recente trabalho da banda, Umbra. Os bilhetes tenhem um preço de 4,00€.

Perseguindo sombras

Dizem, por vezes, que o inferno desce à Terra, nas horas em que, à falta de melhor representação, se procura ilustrar um cenário de horror e de catástrofe. O que não dizem é que as fronteiras que separam a realidade e as coisas corpóreas do sentido figurativo de uma força de expressão podem, eventualmente, ser mais volúveis do que julgamos. Nos dias 17 de Junho e 15 de Outubro de 2017, esses limites pareceram perturbadoramente frágeis, enquanto olhávamos imagens de uma calamidade que, até então, conhecêramos apenas da Literatura ou de produções cinematográficas. Vimos estradas e aldeias inteiras envoltas em chamas, florestas consumidas até à última raiz; vimos total desamparo e impotência, o angustiante fado de centenas de pessoas; vimos cada tonalidade de um inferno qualquer. No fim, massas negras de fumo e cinza, suspensas sobre a devastação, como sombras no céu.

Quis o acaso que, entre as duas trágicas datas, os indignu compusessem o seu novo trabalho de originais, e gravassem-no sob a penumbra e a fuligem que pairou, depois, nos ares. Chamaram-lhe, inelutavelmente, Umbra. Um disco encoberto pela melancolia, confinado a essa dor de espírito, que presta uma sentida e elegíaca homenagem às vítimas dos incêndios que assolaram o território português. Se no passado viajámos pelos mares epopeicos e turbulentos de Odyssea (2013) ou oscilámos entre os pólos eufóricos e herméticos de Ophelia (2016), agora a jornada cumpre-se na memória e num inevitável envolvimento emotivo com os nefastos acontecimentos do Verão passado.

Ao longo da sua carreira, o conjunto barcelense nunca se regeu pelos (não raras vezes vulgarizados) cânones do post-rock ou pela segurança de uma fórmula a priori triunfante. A sua música é feita do que sentem, dos momentos que se atravessam diante de si; um reflexo de alma, se quiserem. Uma evidência dessa candura e emancipação é o facto de todos os seus álbuns, embora sem abandonarem a essência da banda, serem intrinsecamente diferentes entre eles, quer na estrutura das composições, quer nas suas vagas de intensidade e trechos de quietação, ou mesmo na heterogeneidade dos papéis atribuídos à componente melódica. Em Umbra, as melodias têm um peso nos ombros, carregam a dor e a nostalgia de um povo. Isso ressoa nos ouvidos, sente-se no peito – da reacção física à emocional, vai um efémero instante. Particularmente através das cordas que lamuriam o sofrimento dos violinos, sustentados por densas e preciosas ambiências, ou quando a eles se junta a electricidade das guitarras, granjeando paisagens e erupções sonoras de uma beleza violentamente hipnótica.

Tudo é imenso. Tudo é esteado em harmonia e significado, enlevo e sentimento. Fechar os olhos é ficar suspenso no momento, encerrado num mundo de sombras, de silhuetas mais ou menos distintas – consoante o que nos permitimos ver –, pleno de nuances, percussões eufónicas e acordes dilacerantes, teclas tempestivamente condoídas e suspiros de violino a conduzirem uma orquestração ao seu fadário. E o verbo. Para quando o silêncio tencione se abater, ficarmos com a palavra cantada, numa voz transgeracional como a de Manel Cruz ou de Ana Deus. Tudo, menos silêncio. Tudo, menos algo que prenuncie o fim da experiência, da contemplação interior, da saudade profunda, de tudo o que é imenso em Umbra.
(www.planetapostrock.com)
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