António Salvador, Presidente do SC Braga, escreveu um artigo de opinião hoje publicado no Jornal O Jogo, nas suas edições em papel e online, e que foi igualmente divulgado no Expresso Online.
Partindo da recente ultrapassagem de Portugal aos Países Baixos no ranking UEFA, que devolve Portugal  ao 6.º lugar europeu, o líder dos Gverreiros reflete sobre os desafios estruturais do futebol português e sobre a necessidade de decisões estratégicas que permitam às equipas nacionais consolidar, de forma sustentável, a sua competitividade nas competições europeias.

El presidente del SC Braga, António Salvador, ha hecho pública una reflexión en voz alta, a través de un interesante artículo de análisis, sobre la realidad del fútbol portugués actualmente. Por el interés de lo que refiere y con la debida venia, pasamos a hacernos eco del texto que sigue :

"A jornada europeia desta semana concretizou a ultrapassagem de Portugal aos Países Baixos no ranking UEFA e o regresso do nosso País ao 6.º lugar, que precisa de ser confirmado no final da temporada para produzir efeitos em 2027/28.
Ainda que à condição, esta subida merece ser destacada e representa um potencial ganho de enormes proporções para todo o futebol português, que rapidamente saiu a público para multiplicar os méritos por detrás deste feito. Assim será ao longo dos próximos dias, como inevitavelmente acontece sempre que há boas notícias e, com elas, oportunidades de capitalização política.
É aqui que se torna imprescindível perceber, de facto, o que permitiu estes resultados, questionando também a solidez dos mesmos e a previsível trajetória futura. Perdão por estragar a narrativa, mas faço já spoiler: o regresso ao 6.º lugar não provém de qualquer ação ou compromisso coletivo, pelo que nada nos diz que haja mais clubes preparados para o sustentar, daí decorrendo uma inevitável queda. Isto é certo como a chuva no inverno.
Mas para já, e antes de tudo, há uma evidência que precisa de ser sublinhada: esta ultrapassagem momentânea é consequência exclusiva do extraordinário trabalho dos clubes, dos seus jogadores, treinadores, dirigentes e adeptos. Os clubes portugueses a competir na UEFA, tantas vezes com recursos inferiores aos dos seus adversários, são exemplos de competência, de ambição e de superação.
O 6.º lugar recuperado esta semana tem nomes e não são outros se não estes: SL Benfica, Sporting CP, FC Porto e SC Braga, os únicos que pontuaram em todas as cinco épocas que contam para o ranking. A eles há que juntar o Vitória SC e a sua extraordinária, ainda que excecional, campanha na UEFA Conference League 2024/25. Os restantes clubes nacionais envolvidos não foram além das rondas de qualificação.
Os quatro melhores clubes nacionais projetam na Europa aquilo que constroem em Portugal e isso é verdadeiramente notável, porque este também é o País que vive de e para a exportação. Ou seja, os resultados são alcançados apesar da contínua e recorrente fuga de talento.
Nada se fez ao longo dos últimos anos para impedir que assim seja.
Nada se fez para dar aos clubes portugueses melhores condições competitivas.
Ao nível político, não se diminuíram custos de contexto, nem se potenciaram fontes de receita.
Nas instâncias desportivas, não se alteraram quadros competitivos, nem se manipularam as ferramentas existentes com vista à finalidade, no interesse geral, do rendimento europeu.
Estruturalmente, nada aconteceu para que Portugal recuperasse o 6.º lugar do ranking, pelo que apenas a competência individual dos clubes suportou um sucesso que, está bom de ver, será tão frágil quanto frágeis são os alicerces que os suportam.
O tempo não é, pois, de celebração.
O tempo tem de ser de inquietude e de antecipação, porque de outra forma há uma conclusão óbvia e inevitável: mais cedo do que tarde, Portugal vai perder o 6.º lugar e com ele vai perder dinheiro.
Não é um problema particular ou de uma elite, é um problema coletivo.
A receita combinada da participação nacional nas provas europeias está em vias de se tornar na mais importante fonte de rendimentos do futebol profissional em Portugal – com a exceção da transferência de jogadores, altamente dependente dessa mesma performance internacional. Estando a UEFA em negociações de direitos para o ciclo 2027-2030 e com sólidas perspetivas de um crescimento na casa dos 20%, é fácil de compreender que em causa estão muitos milhões de euros que o nosso futebol não pode desperdiçar.
É hora de enfrentar as evidências: só potenciando as condições dos clubes que têm suportado a competitividade de Portugal na Europa e incrementando exponencialmente as hipóteses daqueles que a estes se juntarem nos próximos anos será possível consolidar o nosso País junto dos Big-5, que é onde queremos e podemos estar.
Qualquer inação ou incapacidade terá consequências que não poderão deixar de ser assacadas aos seus verdadeiros responsáveis.
Sendo um otimista, cumpre-me acreditar que o talento português nos permitirá construir o futuro que podemos alcançar."

ANTÓNIO SALVADOR, presidente del Sporting Club de Braga