Contributo do Futebol Profissional para o PIB português aumentou 40% na época 2018-19

A Indústria do Futebol Profissional em Portugal registou um contributo total de €549 milhões para o PIB português na época desportiva 2018-19, revela a nova edição do Anuário do Futebol Profissional Português, uma parceria entre a Liga Portugal e a EY.

- A atividade da Liga Portugal e das 32 Sociedades Desportivas presentes na Liga NOS e LEDMAN LigaPro gerou receitas superiores a €874 milhões, permitindo ao Estado Português arrecadar mais de €150 milhões em impostos – ou seja, o Futebol Profissional paga em impostos o equivalente a 86 mil salários médios mensais da Função Pública.
- Pela primeira vez, este estudo detalha as contribuições fiscais das Sociedades Desportivas, sendo que a grande fatia está indexada às remunerações dos agentes desportivos (juntos, IRS e Segurança Social valem 78% dos impostos pagos pelo setor). Indústria do Futebol responde por mais de 2.600 postos de trabalho.
- Análise da EY considera os efeitos diretos do Futebol Profissional na economia nacional e mostra melhoria significativa dos principais rácios financeiros e económicos das Sociedades Desportivas. Setor entra, assim, mais fortalecido numa fase de grande imprevisibilidade e deterioração da atividade, provocadas pela pandemia de Covid-19. 

Diversificação das fontes de receita, maior poder negocial dos direitos audiovisuais e internacionalização do Futebol português são, no entanto, prioridades para reforçar a robustez e contributo desta indústria.

A Liga Portugal e as Sociedades Desportivas presentes na Primeira Liga (Liga NOS) e Segunda Divisão (LEDMAN LigaPro) na época desportiva 2018-19 geraram receitas superiores a €874 milhões, o que permitiu uma contribuição total de €549 milhões para o PIB português – um aumento de 39,2% face ao quadro competitivo anterior. O Futebol Profissional em Portugal já gera diretamente, assim, cerca de 0,3% da riqueza nacional, conclui a terceira edição do Anuário do Futebol Profissional Português, promovido pela Liga Portugal e pela EY Portugal, e apresentado esta quarta-feira na Conferência Futebol Profissional e Economia Pós Covid-19, no Auditório do Parque dos Poetas, em Oeiras.

A época 2018-19, revelou melhoria generalizada da receita operacional das Sociedades Desportivas e a consequente subida da contribuição direta da indústria portuguesa de Futebol para o PIB – que seria superior se considerados os impactos diretos e induzidos na economia – deveu-se essencialmente à entrada em vigor do novo ciclo de distribuição de receita das competições europeias (com um impacto positivo de €68 milhões); à subida global do saldo de transação de jogadores na Liga NOS (que registou um aumento de perto de €72 milhões); e à introdução dos novos contratos de direitos audiovisuais com os operadores televisivos para a transmissão dos jogos.

Numa época marcada pelo arranque do projeto de internacionalização da marca Liga Portugal, em que se destaca o estreitamento de relação com a espanhola LaLiga e com países de Língua Oficial Portuguesa, a análise da EY revela uma performance positiva da indústria do Futebol Nacional, mas ainda assim oscilante, uma vez que as anteriores edições têm mostrado alguma disparidade na contribuição deste setor para o PIB (€311 milhões na época 2015-16; €455 milhões na edição seguinte; e €351 milhões na época 2017-18).

Pedro Proença, Presidente da Liga Portugal
, afirma: “Não só as receitas na época 2018-19 aumentaram, como se verificou uma melhoria significativa dos principais rácios financeiros e económicos das Sociedades Desportivas. Tal desempenho dá nota do fim de um ciclo estratégico, que levou a uma maior consolidação e equilíbrio competitivo e a uma maior preocupação em projetar as marcas dos emblemas e das competições do campeonato Português em novos mercados.” O responsável aponta para entrada desta indústria numa fase de maturidade, “em que a Liga Portuguesa de Futebol Profissional terá maior responsabilidade na distribuição de receita para as Sociedades Desportivas, nomeadamente através de uma política comercial ativa e com retorno, e da expansão do produto consolidado a novos mercados, nacionais e internacionais”.

Desígnios, sublinha Pedro Proença, que não podem ser hipotecados pela atual crise que o setor – e a economia no geral – atravessa, potenciada pela pandemia de Covid-19: “É ainda impossível estimar as perdas avultadas que o Futebol Profissional sofrerá, mas é certo que o contexto que vivemos obriga a indústria, ainda de forma mais urgente, a organizar-se de forma centralizada. Só assim será possível aumentar o poder negocial das empresas do setor face a um conjunto importante de ativos, como são os direitos audiovisuais”, refere.

Na época desportiva em análise, 67% dos jogos da Liga NOS e da LEDMAN LigaPro foram transmitidos por operadores televisivos, um aumento de 9 pontos percentuais face à época anterior. Simultaneamente, a utilização média dos estádios aumentou 4 p.p., fixando-se em 35%.

Mais emprego e contribuições fiscais
Na época 2018-19, Futebol Profissional voltou a fomentar a criação de oportunidades de trabalho, sendo a qualificação dos agentes desportivos uma clara aposta do setor. Ao todo, a Liga Portugal e as 32 Sociedades Desportivas analisadas foram responsáveis por 2.621 postos de trabalho diretos, número que representa um aumento de 33,8% face ao período 2017-18. Os jogadores foram os agentes desportivos com a maior fatia remuneratória (€238 milhões), sendo que a produtividade média anual dos profissionais de futebol (atletas, treinadores e funcionários) cifrou-se em €210 mil.

No total, na época 2018-19, o Futebol Profissional Português produziu mais de €150 milhões em impostos para o Estado. Pela primeira vez, o Anuário do Futebol Profissional Português revela em detalhe as contribuições fiscais das Sociedades Desportivas. De acordo com a análise, o volume de contribuições fiscais mais relevantes está indexado às remunerações dos agentes desportivos, o que pode constituir uma ameaça à atratividade de talento profissional: em conjunto, o imposto IRS e as contribuições para a Segurança Social geraram, cerca de €116 milhões, tendo um peso nas contribuições fiscais de 57% e de 21%, respetivamente. Por fim, o imposto IVA teve contribuição de €23 milhões na época analisada.

Miguel Farinha, partner da EY Portugal e responsável pela área de Strategy and Transactions
, comenta: “Esta foi uma época de grande dinamismo para o Futebol Profissional, sendo que o seu contributo para a economia nacional calculado neste Anuário fica, contudo, aquém da real dimensão, uma vez que da sua cadeia de valor resultam impactos indiretos e induzidos significativos que ainda não conseguimos contabilizar – como, por exemplo, os gastos em restauração em dias de jogo. Estes números demonstram que o Futebol Profissional se assume como um pilar da sociedade portuguesa, sendo capaz de gerar avultados benefícios sociais, culturais e económicos.” Por isso, nota o responsável, apesar do cenário positivo realçado pelo relatório, “que corresponde à visão histórica de uma época, não podemos ignorar os desafios prementes que o Futebol Profissional encara neste contexto pandémico. Dada a importância desta indústria para a economia nacional, é vital minimizar os impactos desta crise, protegendo esta atividade e os milhares que dela dependem, garantindo que as Sociedades Desportivas se mantêm na rota de crescimento que deram sinal de estar a percorrer”.

Para garantir a solidez do Futebol Português será necessário acionar medidas que promovam a sua resiliência e a reaproximação às principais ligas europeias. A terceira edição do Anuário do Futebol Profissional Português elenca os 12 temas que serão vitais para o futuro desta indústria. Destacam-se, entre eles: a centralização da comercialização dos direitos audiovisuais, por forma a mitigar as assimetrias na distribuição de receitas provenientes desta componente, que atualmente se concentram no primeiro terço da tabela das competições profissionais; a alteração dos regimes das apostas desportivas proposta pela Liga Portugal, com vista a uma distribuição justa e equitativa da receita obtida pelas casas de apostas; ou ainda a revisão do enquadramento fiscal em sede de IVA e IRC para as Sociedades Desportivas, assim como a diminuição de IRS relativa aos praticantes desportivos, enquanto políticas fiscais de incentivo à competitividade das Sociedades Desportivas.

Para mais informações, consulte a versão completa do estudo Anuário do Futebol Profissional Português 2018-19, aqui.

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