"Lanço da Cruz" : uma Fé maior que todos os ríos do Mundo...

Toca este lunes noche hablar de un ritual único, compartido entre dos países (España y Portugal) y dos territorios absolutamente hermanos : el sur de Galicia (de la provincia de Pontevedra) y el llamado Alto Minho português. Un ritual anual que va a ser propuesto en breve para que sea declarado Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Es tradición secular. Cada lunes de Pascua, en pleno río Miño, entre Galicia y Portugal, a la altura del municipio de Valença, allí discurre algo muy especial. Hablamos del llamado Lanço da Cruz, que anualmente, desde la orilla fluvial de Cristelo-Côvo (Valença do Minho), allí, en las aguas del río que une y no separa ambas orillas, se produce. Una tradición luso-galaica con siglos de existencia -según los más estudiosos- que, este año, iba a tener lugar en este lunes 13 de abril.
En las orillas del río, miles de personas, cada año agolpadas para verlo. Cada Lunes de Pascua, allá por las 17 horas, tras una jornada de visitas de la cruz pascual a aldeas y barrios, a casas y ancianos encamados... luego, con la cruz siempre presente, allí en el río una barca espera para que el párroco de la feligresía portuguesa de Cristelo-Côvo entre en la barca de pesca amarrada a la orilla, el sacerdote debidamente paramentado, con una cruz ornamentada en sus manos, para que, enseguida, la embarcación zarpe y cruce el río hasta la orilla galaica. Allí, el sacerdote portugués da la cruz a besar a los parroquianos gallegos situados en esta margen española del río. Durante ese tiempo son lanzadas por los pescadores, desde varias barcas, las redes previamente bendecidas. Todo el pescado que se capture es para el sacerdote.
Mientras el párroco portugués regresa a su orilla de Cristelo-Côvo, el párroco de la otra zona de enfrente, Sobrado-Torrón (Galicia) lo hace en sentido inverso, en dirección al territorio hispano; lo hace tras haber llevado su cruz a la orilla portuguesa, para darla a besar a muchos de los lusitanos allí presentes en esta tarde tan entrañable.
Mientras, varias embarcaciones gallegas y portuguesas acompañan el ir y venir de los respectivos párrocos atravesando el río. Suenan las gaitas de foles en ambas orillas, se lanzan cohetes, se renueva esa hermandad secular sellada con este llamado "Lanço da Cruz" que, desde siglos (unas veces con permisividad por la autoridad de entonces, ahora con la legalidad establecida y el derecho de una Europa unida) une dos orillas, sobre un río que jamás separó, que siempre unió; también en un acto tan bonito como este que, sin embargo, en este maldito 2020, no ha podido ser. Un acto, este "Lanço da Cruz", que inevitablemente nos hace recordar aquellos versos del gran poeta de Monçâo, Joao Verde :

Vendo-os assim tão pertinho,
a Galiza mail’ o Minho,
são como dois namorados
que o rio traz separados
quasi desde o nascimento.
Deixal-os, pois, namorar
já que os paes para casar
lhes não dão consentimento
(João Verde - 1890)

En Radio Vale do Minho, la crónica vibrante de lo que fue la edición de 2019. El gentío aguantó a pie firme bajo la lluvia mientras las barcas y las cruces de Pascua se daban cita en el río.
Este era el título : "VALENÇA/GALIZA: UMA FÉ MAIOR QUE TODOS OS RIOS DO MUNDO"
"Nem a chuva miudinha demoveu a enorme multidão que ao final da tarde desta segunda-feira se concentrou no Parque de Nª Srª da Cabeça, em Valença. Ora a Fé… ora a curiosidade prendiam o pé a centenas de pessoas que quiseram assistir ao Lanço da Cruz. Uma tradição que todos os anos ali se repete na segunda-feira após o domingo de Páscoa. Uma tradição que, consideram portugueses e galegos, “já vai além disso… É um símbolo de união! De humanidade! De carinho entre estes dois povos cada vez mais unidos”.Faltavam ainda poucos minutos para as 17h00. A chuva teimava em cair. O pároco português, devidamente paramentado e com a respetiva cruz, entrou num dos barcos de pesca. Soltaram-se foguetes. E o povo assistia nas margens. Dirigiu-se à margem espanhola e, a meio do caminho, cruzou-se com o pároco galego que vinha em direção à margem portuguesa – o tão esperado encontro das duas cruzes.
Ambos os párocos deram as cruzes a beijar aos respetivos vizinhos. Um compasso pascal internacional sempre acompanhado ao som da música de bandas que acompanharam a cruz. Uma tradição que tanto a Junta da União de Freguesias de Valença, Cristelo-Côvo e Arão como a própria Câmara Municipal de Valença, que se fez representar pelo vereador José Monte, esperam ver elevada a Património Imaterial da UNESCO".
Esta tradicional romaria galaico-minhota decorre sempre na segunda-feira imediata ao fim de semana da Páscoa. Ao entardecer, depois da visita pascal, à freguesia de Cristelo-Côvo (Valença), o pároco, devidamente paramentado e com uma cruz ornamentada, entra num barco e dirige-se até à margem espanhola onde dá a cruz a beijar aos paroquianos da outra margem. Durante esse período são lançadas, pelos pescadores de Cristelo-Côvo, as redes benzidas ao rio. Todo o peixe que sair no lance é para o pároco. Entretanto o pároco português regressa no barco, o pároco da paróquia galega de Sobrado – Torron, concelho de Tui (Galiza), fez o mesmo em sentido inverso, depois de dar a cruz a beijar aos peregrinos que aguardam junto ao rio, na margem portuguesa. Várias embarcações portuguesas e galegas acompanham este compasso pascal nas águas do Minho.
Até à noite os sons das gaitas de foles misturam-se com os das concertinas, das castanholas, o rufar dos bombos e tambores numa autêntica romaria galaico-minhota.
Merece especial referência a missa para os peregrinos da Galiza, celebrada em galego, por um padre galego, às 10h00 (hora portuguesa). Neste dia também, por tradição, os peregrinos desfrutam dos seus merendeiros nas sombras do parque comendo, sobretudo, o que sobrou do carneiro ou cabrito da Páscoa.
A tradição do Lanço da Cruz é uma manifestação religiosa e popular muito acarinhada pelas populações da raia minhota que ano após ano atrai um maior número de populares e turistas.

Imagens de Câmara Municipal de Valença, Alto Minho TV e Radio Vale do Minho :