Periodista, escritor, apasionado por la Fiesta de los Toros, personaje que marcó un tiempo, nos dejó este viernes una figura de los medios de comunicación portugueses...

O jornalista e escritor português Joaquim Letria morreu hoje, dia 16 de outubro de 2026, aos 82 anos. A informação foi confirmada por fontes familiares e pela sua editora. O profissional encontrava-se debilitado há algum tempo, embora não estivesse doente, e deixa a sua mulher, Berta, e dois filhos, Pedro e Miguel. 
O seu percurso é marcado por grandes marcos na história da comunicação social em Portugal:

Carreira na Televisão e Rádio. 
O debate histórico : Em novembro de 1975, moderou na RTP o célebre frente a frente entre Mário Soares e Álvaro Cunhal, imortalizado pela mítica frase de Cunhal: "Olhe que não". 
Inovação no pequeno ecrã : Marcou a televisão do pós-25 de Abril com formatos que fundiam informação e entretenimento, como o Informação 2, Directíssimo e Tal & Qual (onde introduziu a popular rubrica Apanhados). 
Entrevistas marcantes : Ficou célebre por entrevistar uma cadeira vazia na televisão quando o então ministro Miguel Cadilhe faltou ao programa.
Rádio e polémicas : Passou pela BBC em Londres, Rádio Clube Português e, já nos anos 90, apresentou o programa Cobras e Lagartos na RDP Antena 1, do qual acabou por ser despedido após uma polémica relacionada com Angola. 

Imprensa e Projetos Editoriais
Foi uma figura central na criação de títulos fundamentais da imprensa portuguesa. Integrou a equipa fundadora do semanário Expresso e participou ativamente na fundação do semanário O Jornal (que daria origem à revista Visão), do jornal Tal & Qual e das revistas Sábado e Tempo Livre. 

Outras Funções e Vida Pessoal
Porta-voz presidencial : Entre 1980 e 1986, desempenhou o cargo de porta-voz da Presidência da República durante os mandatos do general Ramalho Eanes.
Superação e início : Nascido em Lisboa em 1943, contraiu poliomielite aos dez anos. Chegou a admitir que nunca achou que viria a trabalhar na televisão devido à condição das suas mãos. Iniciou-se no jornalismo no Diário de Lisboa aos 18 anos.
Foi também presidente do Sindicato dos Jornalistas, docente em várias universidades portuguesas e publicou diversos livros, incluindo A Verdade Confiscada (1998) e o recente A Arte da Crónica (2023). 

Várias personalidades públicas, incluindo a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, e líderes políticos como José Luís Carneiro, já reagiram publicamente manifestando o seu pesar por aquela que consideram ser "uma das figuras mais marcantes do jornalismo do pós-25 de Abril".