
Dificilmente as próximas gerações verão um português elevar o nome de Portugal tão alto e durante tanto tempo como Cristiano Ronaldo.
E às vezes pergunto-me: que país seríamos se cada português tivesse no seu ADN apenas um décimo da vontade de vencer, da determinação, da capacidade de superação e, sobretudo, da exigência consigo próprio que CR7 carrega?
Podem acusá-lo de ter ego. Mas, se houve alguém que conquistou o direito a tê-lo, foi Cristiano Ronaldo. Porque o seu ego não nasceu do nada: foi construído com talento, trabalho, sacrifício, disciplina e uma obsessão quase incompreensível por ser melhor amanhã do que foi ontem.
Maradona terminou a carreira e a vida envolto em excessos e polémicas. E, ainda assim, a Argentina elevou-o à condição de Deus. De imortal.
Nós somos diferentes.
Em Portugal, demasiadas vezes, tudo o que brilha é para abater. A mente pequena, toldada pela clubite, pela mesquinhez ou pela inveja, vai tentando diminuir qualquer português que ouse destacar-se demasiado.
Ronaldo não precisa que gostemos dele. Não precisa sequer que gostemos da forma como reage quando perde, quando é substituído ou quando não joga. E os extraordinários incomodam precisamente porque se recusam a fingir que são vulgares.
Mas há uma coisa que já ninguém lhe pode tirar: durante mais de duas décadas, milhões de pessoas em todos os continentes ouviram o nome PORTUGAL por causa de um português chamado Cristiano Ronaldo.
Quando ele deixar definitivamente os relvados, talvez percebamos melhor a dimensão do privilégio que foi assistir à sua carreira.
Somos, tantas vezes, pequeninos porque insistimos em diminuir os nossos maiores.
Obrigado, CR7.
Pelo talento. Pelo trabalho. Pela ambição. Pela camisola.
E, acima de tudo, por teres levado Portugal contigo até ao topo do mundo.
PEDRO PROENÇA, advogado.
