En vez de modernizar y electrificar la llamada "Linha do Voiga" (O Vouguinha)... estudios encargados y convenientemente teledirigidos -eso parece- eliminan de entrada el tren de vía estrecha que ahí siempre hubo y... ofrecen una apuesta doble : o el autobús (BRT) a circular por donde va la vía actual... o ampliar la vía a ancho ibérico (sabiendo de sobra que esto no va a suceder... porque acabarán alegando costes, tal y cual...)
Hay indignación en las zonas urbanas del límite suroeste de la Euroregión Galicia-Norte de Portugal ante la maniobra tan en consonancia con el maltrato ferroviario que el actual Gobierno portugués suele dispensar...
El llamado Movimento Cívico pela Linha do Vouga ha hecho público un manifiesto que no tiene desperdicio... Lean de seguido :
Comunicado : Estudo ignora a melhor solução para forçar a escolha entre o "mau" e o "pior"O Movimento Cívico pela Linha do Vouga (MCLV) vem a público expressar a sua mais profunda indignação e preocupação relativamente às recentes declarações, relativas ao futuro da Linha do Vouga, da parte de um dos responsáveis da Área Metropolitana do Porto (AMP), nomeadamente do Eng. Nuno Sousa (Presidente do Conselho de Administração da empresa Transportes Metropolitanos do Porto - TMP), conforme noticiado pelo jornal Região de Terras de Santa Maria.
Segundo confirmado publicamente na peça informativa, embora admitindo que ainda não esteja definida qual a solução a avançar, foi na última sessão ordinária da Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira que este responsável informou que os estudos em curso para o corredor da Linha do Vouga (entre Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira e Espinho) estão exclusivamente a equacionar duas alternativas: a conversão para Bitola Ibérica ou a implementação de um sistema BRT (Bus Rapid Transit), também conhecido por Metrobus.
Por conseguinte, ao remeter para o esquecimento a solução de modernização mantendo a bitola atual (Métrica), a AMP e as entidades envolvidas poderão estar a incorrer num gravíssimo erro de planeamento técnico e financeiro. Perante este cenário, o MCLV denuncia e exige esclarecimentos sobre quatro contradições insustentáveis:
1. A exclusão deliberada da solução ideal (Bitola Métrica):
É inaceitável que qualquer estudo de mobilidade pago com dinheiros públicos ignore a alternativa que é, no nosso entender, a mais racional e eficiente. Queremos acreditar no contrário, mas desta forma o debate poderá estar a ser viciado para empurrar as populações para um falso dilema entre a solução má (reconversão para Bitola Ibérica), cujo projeto será inevitavelmente de custos astronómicos, com obras pesadas e destrutivas nas malhas urbanas, e cujos raios de curva na Linha do Vouga são manifestamente incompatíveis com o comboio convencional de via larga, e a solução pior (BRT / Metrobus), que significa o desmantelamento da infraestrutura ferroviária. Destruir os carris para alcatroar o canal ferroviário e colocar autocarros a circular, reduzindo a capacidade de transporte, o conforto e a durabilidade do sistema é aquilo que vulgarmente configura "andar de cavalo para burro".
A modernização da Bitola Métrica existente (1000 mm) — com a eletrificação e adoção, por exemplo, de composições elétricas ligeiras sobre carris (tipo tram-train), à semelhança dos modelos de sucesso em toda a Europa — foi simplesmente varrida para debaixo do tapete, ignorando-se assim o próprio Plano Ferroviário Nacional.
É chocante ver responsáveis políticos utilizarem o termo "reativação" quando se referem à Linha do Vouga. A Linha do Vouga não precisa de ser reativada porque nunca esteve fechada (pelo menos entre Espinho e Aveiro); continua em pleno funcionamento e a servir diariamente centenas de passageiros. Falar em "reativar" é uma tentativa grosseira de desvalorizar o serviço ferroviário existente para preparar a opinião pública para o seu desmantelamento ou substituição por autocarros.
3. A devassa do investimento público:
Onde fica a coerência das obras em curso? Neste momento, podemos estar a assistir a uma irracionalidade de gestão sem precedentes. A Infraestruturas de Portugal (IP) e o Estado estão neste exato momento a executar trabalhos de Renovação Integral de Via (RIV) e a investir milhões de euros na infraestrutura atual em bitola métrica. Como é possível que, em paralelo, a AMP possa estar a gastar recursos para estudar a destruição desse mesmo canal para passar autocarros (BRT) ou mudar a bitola? É um desrespeito absoluto pelos dinheiros públicos e pelos contribuintes.
4. A grande mentira do transbordo em Espinho:
Durante os últimos anos, os defensores da reconversão para bitola ibérica atacaram a manutenção da bitola métrica com o argumento de que era imperativo eliminar o transbordo em Espinho para permitir viagens diretas ao Porto. Contudo, perante a hipótese de um BRT, esses mesmos decisores parecem vir agora defender, sem qualquer pudor, um sistema que obriga exatamente ao mesmo transbordo em Espinho para a Linha do Norte.
Isto desmascara a hipocrisia da narrativa: a rejeição do transbordo era apenas um pretexto político. Se o transbordo em Espinho afinal já serve para um autocarro sobre pneus, porque é que não serve para um comboio elétrico moderno, rápido, silencioso e de elevada capacidade sobre os carris em bitola métrica?
Conclusão: Servir a região ou ceder a interesses obscuros?
A insistência em ignorar a bitola métrica — a única opção financeiramente viável, ambientalmente responsável a longo prazo e de execução rápida — demonstra que este estudo não nasce da necessidade dos cidadãos das Terras de Santa Maria, mas sim de uma presumível tentativa de acomodar interesses obscuros que procuram o desmantelamento ferroviário e o favorecimento de outras soluções, nomeadamente rodoviárias, a todo o custo.
Enquanto os decisores políticos apresentam soluções tacanhas, caras e ineficientes, este movimento cívico reitera o seu compromisso inabalável com a verdadeira modernização do nosso território.
Pela Bitola Métrica, uma Ambição Larga!
