Portugal : os encerramentos de linhas ferroviárias de 1926 - 1974
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Por Pedro Rodrigues Costa, estudioso y apasionado del asunto ferroviario
Os encerramentos de linhas ferroviárias de 1926 - 1974
O seu levantamento histórico está correto e expõe uma realidade muitas vezes esquecida: o Estado Novo travou, abandonou e encerrou cerca de 200 km de infraestruturas ferroviárias.
Embora o auge da extensão máxima da rede ativa em Portugal tenha sido atingido na década de 1950 (cerca de 3600 km), esse número esconde decisões políticas de desinvestimento na ferrovia em detrimento da expansão rodoviária.
Abaixo, detalha-se o impacto histórico dos exemplos que mencionou, divididos entre projetos construídos, mas nunca inaugurados e linhas ativas que foram encerradas.
Projetos Abandonados (Construídos, mas Nunca Inaugurados)
A política ferroviária do regime de Salazar focou-se em consolidar o que já existia, resultando no cancelamento de canais que já tinham recebido forte investimento público:
1.
Caminho de Ferro do Vale do Lima (Viana do Castelo a Ponte da Barca):
O projeto foi formalmente abandonado pelo regime. Parte do material circulante encomendado e carris foram alienados para o mercado espanhol durante o período de isolamento do pós-guerra e consolidação do regime de Franco.
2.
Linha de Lamego (Régua a Lamego):
Teve as suas obras iniciadas em 1923, incluindo a construção da ponte ferroviária sobre o rio Douro. Com cerca de 20 km de extensão, a plataforma de via estreita (1000 mm) ficou praticamente concluída.
O Estado Novo optou por cancelar em definitivo o projeto antes do assentamento total de carris e da abertura à exploração.
Linha de Moura a Serpa (Ficalho):
Planeada como uma extensão natural para ligar o Alentejo profundo à fronteira espanhola. O canal ferroviário e várias obras de arte (estações e pontes) chegaram a ser edificados ao longo de aproximadamente 30 km, mas os trabalhos foram interrompidos e o projeto foi abandonado pelo Ministério das Obras Públicas.
Troços e Ramais Ativos Encerrados (1926–1974)
Durante o regime, várias vias que serviam populações e indústrias locais foram suprimidas sem a devida modernização:
Ramal de Matosinhos:
Linha de via estreita com cerca de 6 km que ligava a Senhora da Hora ao Porto de Leixões (Matosinhos). Foi encerrada ao tráfego de passageiros em 1965 devido à concorrência dos transportes rodoviários e à reorganização urbana.
Linha do Vouga (Troços Desativados):
Aveiro a Sernada do Vouga: 37 km
Sernada do Vouga a Viseu: 79 km
O encerramento do troço que ligava a Viseu começou a desenhar-se no final da década de 1960 e consumou-se no início da década de 1970 (com o encerramento do troço terminal para Viseu em 1972 devido a incêndios e falta de manutenção crónica da infraestrutura).
Ramal do Seixal:
Com apenas 4 km de extensão, ligava o Barreiro ao Seixal através de uma ponte sobre o Rio Coina. Foi desativado em 1969 após um navio abalroar e danificar gravemente a ponte ferroviária, tendo o regime optado pelo seu encerramento definitivo em vez da reconstrução.
Resumo Estatístico dos Encerramentos
A tabela abaixo cruza os seus dados com o histórico da engenharia ferroviária nacional, comprovando os cerca de 200 km eliminados pelo Estado Novo.
Embora a grande vaga de encerramentos em massa (superior a 800 km) tenha ocorrido no período democrático — sobretudo no final da década de 1980 e início de 1990 (Governos de Cavaco Silva) e em 2011/2012 (Plano Estratégico de Transportes / Troika), o Estado Novo fixou as bases dessa contração ferroviária ao paralisar investimentos estruturantes e desmantelar a rede secundária de via estreita.




