Comunicado da Associação Portuguesa de Defesa do Adepto sobre o sucedido no derby minhoto:

"No jogo entre o Sporting Clube de Braga e o Vitória Sport Clube, a Polícia de Segurança Pública impediu a coreografia preparada pelos adeptos do clube da casa, alegando que esta “não evidenciava apoio à equipa”. Curiosamente, no comunicado que lançaram há pouco, esse argumento passou um bocado à margem, tendo sido atribuido maior destaque a outros argumentos, passando de uma decisão arbitrária para a criação de uma narrativa oficial de segurança. A necessidade de criarem uma narrativa é a prova clara de que estão a tentar lavar a cara pelo erro gravíssimo que cometeram.
Aquele que deveria ter sido um momento de festa, incentivo e apoio transformou-se em confrontos, interrupções no jogo e sectores de bancadas parcialmente abandonados, expondo excesso de perseguição, censura, intimidação e total falta de diálogo. Os adeptos voltaram a ser maltratados e continuam as decisões unilaterais da PSP que tornaram o estádio menos seguro, contradizendo a própria missão que deveriam cumprir.
Uma coisa ficou clara aos olhos da grande maioria das pessoas: quando precisam de se justificar tanto em comunicado, é porque sabem a vergonha que causaram. Pena que a instituição PSP se deixe afundar com estes comunicados e com o comportamento de alguns dos seus elementos, escolhendo confronto e prepotência em vez de diálogo, respeito e responsabilidade.
No entanto, é ainda mais nítida a gravidade da actuação da PSP quando figuras políticas que naturalmente se erguem em defesa incondicional das forças de segurança - frequentemente apresentadas como um dos pilares do Estado de Direito e Democrático - agora se manifestem perante um episódio que devia fazer corar de vergonha as tutelas das nossas próprias autoridades, que continuam a ultrapassar o seu papel de garantir segurança para impor censura.
Por fim, deixamos nota de mais um alegado caso de tortura, em que as forças de segurança em questão se dirigiram a um WC do estádio com um adepto e o agrediram brutalmente, de tal modo que este acabou hospitalizado.
Não vale tudo!"