Análisis FC PORTO) ¡Por qué el español Iván Jaime fue un engaño, pero el también fue engañado!


Texto : Pedro Ribeiro in "Futebol sem tretas". Foto : D. R.
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IVÁN JAIME FOI UM ENGANO, MAS ELE TAMBÉM FOI ENGANADO!
Iván Jaime é um talento absurdo.
O rapaz é um artista.
Um jogador de toque de bola diferenciado, com capacidade de um para um notável e técnica para colocar a bola onde quer.
E o erro foi de Conceição, passando a explicar:
1º Para que é que Conceição o queria?
- Não o queria para extremo, estou certo. Porque os extremos que Conceição usa são velocistas para levar a bola, Iván Jaime não é um velocista.
Ainda para mais, Conceição só usa um extremo à vez, do outro lado, geralmente, joga um médio-ala para equilibrar a equipa.
E lembrar que Conceição já tinha para essa posição: Galeno, Pepê e Borges, ao que se somou Chico Conceição.
Portanto, acho que posso dizê-lo com segurança: não foi para extremo que Conceição o contratou.
- Também não foi para segundo avançado ou número 10. Porque Conceição nunca deu primazia a um segundo avançado criativo, ele sempre apostou, nos 6 anos anteriores, numa dupla de avançados centro que realmente eram avançados de origem!
E, para confirmar isto, o Porto vai para o campeonato com 5 avançados desse género: Navarro, Taremi, Namaso, Toni Martinez e Evanilson. Avançados com características muito diferentes, mas avançados, nenhum deles um 10.
Portanto, acho que posso dizer com segurança que não foi para segundo avançado que Conceição contratou Iván Jaime.
- Resultado: FOI PARA FAZER DELE UM OTÁVIO!
Não há outra alternativa. Foi para fazer de Otávio que Conceição contratou Iván Jaime.
2º Porque é que não resultou?
- Porque Iván Jaime não é um Otávio. Iván Jaime tem até muito maior criatividade e fantasia que Otávio, mas isso torna-o num artista por excelência, nunca num médio de equilíbrio.
- Porque não se muda o chip de um artista para carregador de piano nas horas vagas de uma época para a outra, e o Porto precisava de um Otávio, ou de algo semelhante a Otávio, para esta época.
- Porque o modelo de Conceição não tem lugar para um artista como Iván Jaime.
Ou seja, Otávio dava inteligência e equilíbrio à equipa, mas não só ofensivamente, também defensivamente.
Ora, Iván Jaime ainda desequilibrava mais a equipa, porque é um jogador de risco, um jogador que tenta sempre o passe ou a finta de risco, e isso possibilita ainda mais desequilíbrios para a defesa.
E na parte atacante, fruto de estar tão tolhido pela responsabilidade defensiva, e nem por isso tendo sucesso nela, o homem pouco deu à equipa.
Mas desenganem-se aqueles que pensam que o problema de Iván Jaime é de talento.
Iván Jaime é dos jogadores com maior fantasia do campeonato português.
Iván Jaime é um artista.
Iván Jaime tem recursos absurdos no um para um.
Iván Jaime tem uma capacidade de meia distância fora do comum.
E a somar a isto tudo, desde o seu último ano em Famalicão, o rapaz tem muita visão de jogo, algo que lhe faltava nos primeiros tempos em Portugal.
Se isto é uma crítica ao modelo de Conceição? NÃO, NEM PENSAR!
Se isto é uma crítica ao critério de Conceição nas contratações? SIM, SEM DÚVIDA QUE É!
Todos os treinadores têm um modelo de jogador com determinadas características.
Por exemplo, Fernando ou Florentino nunca casariam com o modelo que Guardiola tem para o seu 6, e isso não significa que Fernando não fosse um jogador perfeito para outros grandes treinadores nem que Guardiola seja menos bom que aquilo que é.
Simplesmente, as ideias não casam.
Iván Jaime até pode vir a aproximar-se daquilo que Conceição quer para aquela posição, mas iria sempre demorar o seu tempo, o problema é que o Porto não tinha, entretanto, nenhum jogador do estilo de Otávio para entrar na equipa no imediato.
Ou seja, quando contratas aquilo que mais reluz e não aquilo que precisas, acabas a época como o Porto está a acabar esta: no lodo!