Uma agitação chamada Ventura e um confinamento com uma lição

 ¿Y los del famoso semanario Expresso que en su día fundó Pinto Balsemâo?. ¿Qué andan haciendo los de la Redacción del semanario portugués por excelencia?. Pues en una especie de carta de un mes, nos lo cuenta el director adjunto, David Dinis.

Dice así su misiva :

Viva!
Que mês este, que passámos juntos. Janeiro foi tempo de eleições presidenciais, aquelas onde Marcelo venceu a abstenção e foi reeleito Presidente para mais cinco anos, um êxito que agora lhe entrega o maior desafio da sua vida. Também aquelas onde a esquerda teve uma derrota, e a direita ficou com um problema, como bem escreveu Daniel Oliveira, numa das crónicas que assinou aqui no Expresso.

Sim, o ‘problema’ à direita é a subida exponencial de André Ventura, líder do Chega, que aqui escalpelizámos. Por exemplo, explicando de onde vem o voto em Ventura? (Resposta: De zonas despovoadas, com mais idosos, estrangeiros e alunos com maior dificuldade em acabar o ensino básico).


O crescimento (muitas vezes previsto) do líder do Chega levou-nos também à estrada, até ao Alentejo, onde vimos e contámos o que se dizia: “Nas próximas eleições vai ser a grande surpresa. E depois não há nada a fazer, temos de aguentar”. Assim como levou o diretor do jornal a deixar um alerta: É bom que ouçam aquelas 500 mil cruzes. Quanto a mim, pôs-me a ler os estudos científicos sobre a ascensão da direita radical lá fora, concluindo aí que a direita já chamou os populistas ao Governo (e perdeu com isso).

Esta semana, na edição semanal, olhámos para outro ângulo da nova relação à direita. A investigação Expresso revelou aí que a ‘geringonça’ de direita nos Açores já tem nomeações recorde e família à mistura.

Mas janeiro foi mês de confinar, outra vez. Foi aos poucos, em duas semanas que terminaram com a jogada arriscada de Costa: 14 recuos e correcções às regras e uma aposta na responsabilização individual

Mas acabou por ser um confinamento total, depois de termos contado que os Hospitais pediram ajuda urgente: já havia doentes transferidos de Lisboa para Covilhã e Algarve. Hoje, sabemos como foi a seguir: problemas de oxigénio no Amadora-Sintra, filas de ambulâncias no Santa Maria, urgências e cuidados intensivosa sem margem de manobra.

As críticas atingiram o pico esta semana, pelo que falámos com o Governo para saber como olha para o que aí vem ainda. A resposta trouxe uma interrogação: Agora, “nervos de aço”. Depois, remodelar?

Mas entrámos em fevereiro ainda em estado e alerta. Chegámos, aliás, com Um país em carne viva, onde nos hospitais se pergunta “como se escolhe quem vive e quem morre?”. A reportagem que Christiana Martins escreveu na Revista desta semana começa por responder assim: Morremos todos.

Por tudo isto, escrevemos-lhe também este mês que passou sobre o medo. Melhor do que isso, sobre como vencer o medo. Assim é melhor - o nosso papel é, também, construir.

Procurando ser-lhe útil, nestas semanas fizemos uma radiografia ao impacto da pandemia nos vários sectores da economia. Mas não sem lhe deixar um guia sobre os apoios que pode pedir: seja para o novo apoio social, seja os disponíveis para proteger as empresas da pandemia em 2021

Agora é tempo de respirar fundo: é que aliviar antes do fim do mês é “muito arriscado”. Depois virão melhores dias.

A propósito, este foi o mês do arranque do processo de vacinação. Regra geral, com um problema de fornecimento (a nível europeu), mas também de… enfim. Sabe como foi, pelo que lhe deixo a crónica episódica do plano paralelo de vacinação que, se juntarmos aos casos de violação do confinamento na clandestinidade, e contrastarmos isso com o heroísmo dos profissionais de saúde e dos que resistem em casa a tudo, nos dá uma enorme lição sobre este mês que acabou: em tempos extremos, o ser humano é mesmo capaz do melhor e do pior.

Nós, por aqui no Expresso, tentamos a cada dia superar esse desafio interior: dar o nosso melhor, por si, pelo rigor, pela informação, pela verdade. 
É por isso, também, que gostamos de a/o ter connosco: por saber que, estando ao nosso lado, estamos na melhor companhia. 

Deixo-a, deixo-o hoje com um obrigado, e com esta última recomendação de leitura, do texto que mais assinantes trouxe ao Expresso no último mês: chama-se “Mil Novecentos e Oitenta e Quatro”: totalitarismo, vigilância e linguagem. E é o ensaio de Gonçalo M. Tavares sobre a atualidade do livro de George Orwell, no momento em que toda a obra do autor entra no domínio público. Na hora certa, acrescento eu.








                                                                                  

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