Evocación de los trenes nocturnos entre España y Portugal que la Covid -y los Gobiernos- mandaron al carajo

28 de febrero de 2021. No hay trenes entre Portugal y España. Ni siquiera el "tren Celta" que tradicionalmente une Porto con Vigo. Es todo una desgracia... Ni se sabe si el "tren Celta" volverá algún día, cuando el ministro Cabrita se digne abrir de nuevo las fronteras. Hace ahora un año que la CP y la Renfe quitaron de en medio -y se observa que para siempre- dos trenes legendarios. El europeo "Sud Express" y el "Expresso Lusitania", que unía las capitales española y portuguesa...

Hoy, rememoramos estos trenes desaparecidos. Ya no tenemos esperanza de que vuelvan, especialmente los llamados expresos. Lo último que nos queda de ellos son los videos de Youtube y la nostalgia imperecedera de quienes tanto amamos el mundo del ferrocarril...

"Nó ferroviario" es el autor y a quien agradecemos un video de 2019. ¡Quien nos diría que apenas un año después, desde los despachos y con la disculpa de la Covid, iban a mandar estos trenes legendarios a tomar viento!.

Popularmente conocido por "Suditania" entre los aficionados al ferrocarril, el Tren-hotel "Sud Express" y el Tren-hotel "Lusitania Expresso" circulaban ya en los últimos años acoplados entre Lisboa y Medina del Campo. En este vídeo podemos ver este tren en las estaciones de Entroncamento, Guarda y el cambio de la locomotora portuguesa eléctrica "Siemens", de la serie 5600 de CP, por la locomotora española diésel de la serie 333.4 de RENFE, en la estación de frontera de Vilar Formoso. 

Otro video de 2019 evoca también lo que era el "Lusitania" entre Madrid y Lisboa. Es promocional Renfe... la misma empresa que pasaportó este legendario "expresso" y que no le da la gana de volver a reponerlo cuando la Covid termine. Dice que los trenes nocturnos en España -al contrario de Europa donde están resucitando- han muerto, que lo que interesa es el AVE y... ¡al carajo!.

 
 Video promocional de la CP sobre el Tren Celta que ahora, con la Covid, Cabrita y su ministerio tienen prisionero sin hacer el servicio... La Covid y las prohibiciones ministeriales impiden, así, con el cierre de fronteras que anula este tren internacional, que los portugueses y gallegos se inter-relacionen en lo ferroviario como habitualmente hacían...  
 Entrando en agosto pasado, en la estación de Valença do Minho, el "Comboio Celta", tras el parón anterior, en 2020, por la Covid. Ahora estamos con otro gran parón de nuevo y la incertidumbre sobre cuándo volverá... Las relaciones ferroviarias entre Portugal y España nunca conocieron peores tiempos que los actuales. Los dos grandes expresos se han ido al carajo y no los quieren reponer. El "tren Celta" es un muñeco con el que juegan a su antojo, de quita y pon, o como mucho restitución de medio pelo, como sucedió el verano pasado, con un solo viaje entre Vigo y Porto (imposibilidad de volver en el día) que apenas servía... Un desastre. Si algún día se dignan en respetar a la ciudadanía que vive intensamente entre la realidad de ambos países, se lo agradeceremos mucho a los jerifaltes que tan facilmente estropean las relaciones de hermandad entre ambos pueblos...

Uma passagem pelo "Sud-Express"
Um artigo de Paulo J. A. Nogueira, publicado no ano 2014

No dia 28 de Outubro de 1856 era inaugurada a primeira linha de caminho de ferro em Portugal, na extensão de 43 km, entre Lisboa e o Carregado. Construída pela Companhia Central Peninsular dos Caminhos de Ferro de Portugal, concessionaria da linha de Lisboa a fronteira de Espanha. Um dos primeiros objetivos do caminho-de-ferro em Portugal foi a modernização da sociedade e a ligação à Europa. Os trabalhos de conclusão da linha do Leste até a fronteira de Badajoz ficaram concluídos a 24 de Setembro de 1863, sob a direção da então fundada Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, e passa a ser servida por dois comboios diários entre Lisboa e Badajoz. Em 1878, iniciou-se a construção de uma importante linha, o ramal de Cáceres, que liga Portugal a Espanha via Marvão Beirã, sendo inaugurada em 1880. O serviço de comboios entre Valência de Alcântara e Madrid é feito pela Companhia de Madrid Cáceres e Portugal, em grande parte de capitais da C.R.C.F.P., que dispunha de três carruagens cama, as primeiras a circular na Península, para este novo serviço, que é inaugurado em 1881. Em Maio de 1886 a Companhia Internacional da Wagon Lits e dos Grandes Expressos Europeus, fundada por George Nagelmackers em 1872, estabelece um contrato com a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses e inicia os seus serviços em Portugal com a circulação do comboio “Lisboa – Porto Expresso” duas vezes por semana, composto por duas carruagens cama e um restaurante. Nagelmackers no entanto já tinha elaborado um projeto desde 1884 com o objetivo de ligar sete das capitais europeias por via ferroviária, designado por “Nord – Sud – Express”, mas devido a uma série de contingências como uma epidemia de cólera que alastrou no sul da Europa, este projeto só teve inicio em 1887. A viagem inaugural do então designado “Sud – Express” teve lugar em 21 de Outubro de 1887 e revestiu-se de grande solenidade após a chegada do comboio a Lisboa, mesmo sem a presença da família real visto não se encontrarem na capital. Esta inauguração foi citada pela imprensa da época com grande destaque, tendo sido referido pelo Diário de Noticias de 23 de Outubro de 1887, como “a inauguração do trem que nos liga a cidade do gosto”.

A inauguração oficial é a 25 de Novembro de 1887. Estas comemorações terminaram com um circuito turístico pelo sul de Espanha, passando por Madrid, completado com ligação a Paris. 


As notícias, literatura, a moda e futilidades assim como a tecnologia e ciência de então, chegam rapidamente a Portugal com esta nova ligação internacional. Em menos de seis meses após a sua inauguração, o “Sud - Express” passou a circular duas vezes por semana e a partir do dia 1 de Julho de 1890 tornou-se tri semanal, partindo de Lisboa as 2 horas da noite chegando a Paris a 1 hora do dia seguinte. A partir de 1895, em vez de efetuar o percurso Lisboa - Paris via Madrid, o “Sud – Express” partindo de Lisboa reunia-se a composição espanhola Madrid – Hendaye, na estação de Medina del Campo, utilizando para isso o novo itinerário da linha da Beira Alta inaugurada em 1881.
A ligação ao Porto era feita em Medina del Campo por um comboio que fazia este percurso via linha do Douro até Barca D´Alva, comboio citado por Eça de Queiroz no seu romance “A cidade e as serras”. A partir de 1891 o “Sud – Express” deixa de ter como términus a estação de Sta Apolónia, passando a ser a então recentemente inaugurada estação central do Rossio e em Paris a igualmente recentemente inaugurada gare de Orsay. Ficando assim ligadas a gare do Rossio a gare de Orsay. Para melhor servir os seus clientes a Companhia da Wagons Lits cria a Companhia dos Grandes Hotéis, inaugurando em Lisboa o Hotel Avenida Palace em 1894, que tinha a particularidade de ter um acesso direto entre a gare da estação do Rossio e o hotel. Nas suas deslocações habituais a Europa, muitas personalidades nacionais e estrangeiras da época utilizaram desde a sua inauguração este comboio. Também as principais companhias de navegação, viram grande interesse neste comboio internacional, tendo modificado as suas escalas, fazendo de maneira que os seus navios se encontrassem em Lisboa para haver correspondência direta com o “Sud Express”

Com a eclosão da I Grande Guerra Mundial em 1914, o serviço de comboios “Sud – Express” é suspenso. Embora este venha a ser restabelecido na Península Ibérica em Junho de 1915, voltando em 1921 a ser de novo restabelecido em toda a sua extensão, passando em 1922 a ser diário a partir de Lisboa, sob dupla denominação de “Sud – Atlantic – Express” no ramo de Lisboa.
A partir dos anos 30 o “Sud – Express” passa a ter o percurso mais longo de sempre, terminando no Estoril, permitindo uma viagem direta de Paris até esta bela e famosa estância balnear com as suas praias, termas, casinos e magníficos hotéis. A ligação era feita por uma carruagem cama que seguia para o Estoril, via linha de Cascais após a chegada a Lisboa - Rossio. Esta ligação foi efémera.

Composição do Sud Express na estação do Estoril em meados dos anos 30

Com a Guerra Civil Espanhola o “Sud” mais uma vez é suspenso e isola Portugal do resto da Europa, o trajeto só é restabelecido em Julho de 1937, mas precariamente, ligando Lisboa a Irun, devido ao fecho da fronteira. A Wagons Lits vê-se obrigada a admitir 2ª classe no comboio e com o eclodir da II Guerra em 1939 o “Sud – Express” acaba como comboio de luxo. No período da II Guerra o “Sud” foi um comboio muito utilizado por monarcas depostos, espiões, traficantes, troca de prisioneiros e refugiados da guerra. Refugiados estes que alteraram muitos dos hábitos sociais da época na capital. Mais uma vez o “Sud – Express” funcionou como veículo de influências sócio culturais para o nosso país, caem alguns tabus e modificam-se tradições. Portugal como pais neutral, torna-se assim um “Porto de Abrigo” para os refugiados de guerra, também algumas figuras conhecidas do mundo das artes e política utilizaram o “Sud – Express” para o regresso aos seus países de origem.



Sud Express in França

Neste período pós guerra, o “Sud – Express” restabelece o seu percurso normal Paris – Lisboa, em 1 de 1947, este comboio do pós-guerra nada tem a ver com o luxuoso e caro do início do século cheio de encanto e glamour. Também as relações económicas entre os três países haviam afrouxado, a rede ferroviária em Espanha tinha sido fortemente abalada pela guerra e não permitia praticar grandes velocidades. A clientela que procurava o “Sud” já não era a mesma. O advento da aviação comercial que entretanto se tinha expandido, nomeadamente a partir dos anos 50 veio tirar clientela a este comboio. A partir de 1955 o “Sud – Express” voltou a ser diário e retoma como estação términus Sta Apolónia em Lisboa.

Composição do Sud Express na estação de Sta Apolónia em meados dos anos 50



Com a revolução dos cravos o “Sud – Express” vira também a ter o seu papel de comboio da liberdade para muitos, que por ideologias políticas estavam longe no exílio e que agora regressam ao país de origem. O “Sud – Express” deixa de ter o encanto de outrora, com as belas carruagens de madeira de tecka envernizadas ou das nostálgicas e lendárias carruagens azuis da Wagon Lits que as celebrizaram, passa a ser um vulgar comboio que transporta todo o tipo de passageiros, nomeadamente a grande emigração para França no inicio dos anos 60 e 70, já nos anos 80 é o comboio dos Inter – Rail.
É na década de 80 mais concretamente em 11 de Setembro de 1985, que ocorreu com um comboio complementar ao “Sud”, um dos mais graves acidentes ferroviários ocorridos em Portugal. O choque frontal em Alcafache na linha da Beira Alta de um comboio regional com o especial emigrantes que teria ligação ao “Sud”. Morrendo meia centena de passageiros sendo vários dados como desaparecidos. Apesar de alguns acidentes ocorridos na história deste comboio, este foi o mais grave.

 
Sud Express na linha da Beira Alta

Com partidas diárias de Lisboa e Paris, continuando assim a manter ligadas estas duas belas capitais europeias, proporcionando uma travessia mais rápida e cómoda, já eletrificada, a linha da Beira Alta percorre pitorescas zonas de belas paisagens com o seu verde por entre rochas graníticas, pontes e túneis, até chegar a vila fronteiriça de Vilar Formoso e depois Espanha. Apesar do “Sud – Express” ser um comboio que como alguns lhe chamam, uma caricatura do original, ainda conserva alguma nostalgia e até um certo romantismo próprio dos grandes expressos, sendo um dos poucos sobreviventes desta “espécie”, que a partir de 1 de Março de 2010, passados que são 120 anos da sua inauguração, passa a ser efetuado com composições Talgo, alugadas para o efeito a RENFE. O “Sud – Express” entra assim na modernidade, todavia já não constitui o importante veículo sócio cultural de outrora, mas continua a ser um comboio democrático com preços para todas as carteiras".

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