Portugal. El profesor Costa analiza el "estrangulamiento de los clubes" que sitúa a muchos al borde del abismo...

 En el acreditado portal deportivo en Internet, ZeroZero, cada semana escribe el profesor António Costa, socio y adepto contra viento y marea del Sporting Clube de Braga, además de un magnífico profesor de enseñanzas medias, personaje culto y afable, al que  mucho apreciamos desde hace ya casi tres lustros. Como antaño en "O Minho Desportivo" y en "Record", leemos a nuestro António Costa cada semana en ZeroZero, donde muestra su indudable amor al Braga, manifestado al lado de razonamientos sensatos y no exentos de lógica y bases fundadas. Tomamos buena nota de lo que dice y, con la debida venia, posteriormente, hacemos presentes sus apontamentos en el apartado de Ocio / Deportes / Sporting de Braga de RBT.


O SÍTIO DOS GVERREIROS
António Costa
O estrangulamento dos clubes

"O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.
O número de infetados por COVID-19 tem aumentado um pouco por todo o lado, o que tem feito subir os níveis de preocupação, de um modo geral. A faixa etária mais atingida por agora é, em geral, mais baixa, pelo que o número de vítimas diminuiu em comparação com a denominada primeira vaga. Os hospitais têm resposta preparada para a situação e estão longe da saturação, felizmente, pelo que é possível encarar a infeção deste vírus como uma doença e não como uma fatalidade, o que muda radicalmente a análise da situação. Porém, continuo a defender que, até à existência de uma solução que permita uma imunidade da maioria da população, os cuidados devem manter-se e as pessoas devem colaborar para um bem que se deseja comum, sem ultrapassar os limites do razoável.

Os clubes de futebol vivem momentos angustiantes e, muitos deles, estão perto da asfixia total, devido ao impedimento compulsivo da entrada de adeptos nos eventos desportivos, ou melhor, em alguns eventos desportivos. Os clubes de maior visibilidade viram as suas receitas cair a pique, de várias formas, pois as receitas provenientes de cotas dos associados, de lugares anuais vendidos, de camarotes transacionados ou de publicidade paga passaram a ser uma miragem, pelo que mantendo as despesas habituais, as dificuldades de respirar financeiramente serão cada vez maiores. 
Os clubes de menor dimensão, sem acesso a receitas de TV, apresentam uma doença (e não saúde) pior do que a pandemia. De um modo geral, estamos muito próximos do estrangulamento dos clubes, o que poderá ser trágico para os jovens que, de outra forma, não têm qualquer prática desportiva. 
Os clubes, por causa da doença do coronavírus, estão próximos do seu fim, sem que as autoridades definam regras de salvamento, que passam, entre outras medidas, pela readmissão urgente das pessoas nos eventos desportivos, mediante regras definidas, que não podem passar pela mera proibição. Aliás, a DGS deve definir regras sanitárias de atuação, para que as entidades organizadoras dos eventos atuem em função delas, não sendo sequer admissível que seja a DGS ou as suas delegações regionais a autorizarem ou permitirem a realização de eventos, o que tem proporcionado situações aberrantes, como se tem visto nos últimos tempos. Por exemplo, o adiamento do Sporting vs Gil Vicente abre um precedente grave, sendo difícil de manter decisão análoga no futuro com outros protagonistas, pelo que não me espanta que a dualidade de critérios volte a ser uma realidade vindoura, algo que se lamenta sempre. Estarei cá para ver se as autoridades sanitárias vão adiar o jogo europeu do Sporting, na semana que agora começa, com a mesma ligeireza de atuação.
 
Peço desculpa aos leitores pela insistência neste tema, mas não posso concordar com o que se tem visto ao longo dos últimos tempos. A insciência da DGS e a sua obsessão doentia contra a presença de adeptos nos locais desportivos estão a fazer muito mal à sociedade em geral, pois as consequências não se restringem, de todo, à vontade de se querer ou não assistir a jogos nos estádios.

O SC Braga entrou mal nesta Liga, perdendo no Dragão perante um adversário a quem tinha ganho os três jogos disputados na última época. Os arsenalistas estiveram em vantagem, mas algum infortúnio e erros individuais ditaram a sentença de um jogo que poderia ter tido um desfecho diferente. Agora resta encarar o futuro com confiança de quem considera que é possível fazer melhor, corrigindo as falhas cometidas, mesmo que o erro nunca deixe de existir. Portanto, que venha o próximo jogo e que ele seja preparado a preceito.


El profesor Costa