«Controlo da pandemia depende do comportamento individual», afirma el primer ministro portugués

 O Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa, destacou que os portugueses têm de ter a consciência de que «o controlo da pandemia depende, em primeiro e último lugar, do comportamento individual».

Em Lisboa, na conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros, António Costa apresentou um conjunto de medidas que vão entrar em vigor a partir de 15 de setembro mas reforçou o apelo à consciência individual para garantir que a pandemia não tenha um crescimento exponencial.
 
«Temos um Serviço Nacional de Saúde robusto e fortalecido, com excelentes profissionais de saúde, mas a melhor forma de ajudarmos os profissionais é evitarmos a propagação. E a melhor forma disso é adotarmos todas as medidas preventivas que dependem exclusivamente de nós, como a utilização da máscara, a lavagem frequente das mãos ou a utilização da aplicação Stayaway Covid», disse.
 
António Costa acrescentou que se o conjunto destas regras for cumprido, a pandemia não vai desaparecer e até poderá ter um crescimento, mas «será um crescimento sob controlo, e isso será decisivo».
 
«Temos de conseguir fazer este esforço e não podemos dar este jogo por ganho porque o jogo não está ganho, é uma batalha que continua e que depende única e exclusivamente de cada um nós. Foi esta responsabilidade pessoal que demos provas em março e abril e que foi decisiva para controlar a pandemia e que vai ser decisiva agora em setembro, outubro novembro e dezembro», reiterou António Costa.
 
Recuperação de atividade e início do período escolar
 
O Primeiro-Ministro assinalou que a recuperação da atividade económica, com o fim das férias, e o início do período escolar vão contribuir para o aumento dos movimentos pendulares e do risco de contágio, pelo que será necessário tomar medidas adicionais para garantir o controlo do crescimento de novos casos que se tem verificado desde agosto.
 
António Costa sublinhou que este aumento está associado a relações familiares e à atividade social e reiterou a importância de não haver um relaxamento do comportamento individual, sobretudo num período em que ocorrerá uma multiplicação das atividades de deslocação.
 
O aumento de casos tem-se verificado sobretudo no quadro etário entre os 20 e os 39 anos, onde a maioria é assintomática, e o Primeiro-Ministro realçou que, ao mesmo tempo, distingue-se uma clara estabilização do número de pessoas internadas em geral e, em particular, em pessoas internadas em cuidados intensivos.
 
«O número de óbitos tem-se mantido relativamente estável e mantemos a taxa de letalidade, comparativamente a outros países, bastante baixa. O número de casos recuperados tem tido uma evolução francamente favorável», acrescentou António Costa, referindo que o número atual de casos ativos é de 16408.
 
Aumentar capacidade de testagem
 
O aumento da capacidade de testagem tem sido uma das maiores prioridades de Portugal e continuará a sê-lo até ao final do ano. «Só assim poderemos verificar a existência de novos casos, e detetar e isolar pessoas infetadas», disse o Primeiro-Ministro, sublinhando que Portugal só está atrás da Dinamarca, do Reino Unido, do Chipre e da Lituânia em número de testes por milhões de habitantes.

Portugal já superou a barreira de dois milhões de testes e António Costa salientou que no dia 8 de setembro foi estabelecido um novo máximo, com 20527 testes realizados.
 
Este valor vai ao encontro do esforço que tem vindo a ser feito para aumentar a capacidade de testagem do País e que, de acordo com o Primeiro-Ministro, atingirá os 21 mil testes por dia através dos investimentos previstos nas próximas semanas pelo Programa de Estabilização Económica e Social. O número mais do que duplica a capacidade inicial verificada de 10 mil testes por dia.
 
António Costa sublinhou também a importância do trabalho em rede com a academia e com laboratórios privados, destacando que neste momento há já 102 laboratórios privados acreditados para a realização de testes quando em abril eram apenas 50. O Primeiro-Ministro afirmou também que está a ser concluído um protocolo com a Fundação Francisco Manuel dos Santos e com o Instituto de Medicina Molecular que vai permitir aumentar ainda mais a capacidade de testagem.
 
«Isto é decisivo: temos de ter a capacidade de assim que houver caso suspeito, testá-lo, ter uma resposta rápida, e determinar o universo de contactos sem que isso conduza à paralisação de uma turma inteira, de uma escola inteira, de uma empresa inteira».
 
Instalação da aplicação Stayaway Covid
 
O Primeiro-Ministro reforçou também o apelo a que todos os portugueses descarreguem a aplicação Stayaway Covid, reiterando o anonimato e a importância de uma utilização efetiva.
 
«Ninguém sabe, quando recebe um alerta, quem foi a pessoa que foi infetada e com quem teve em proximidade. Quando fazemos o contacto não nos identificamos. A descarga é voluntária e segura, e só pode haver avisos de diagnóstico positivo por parte de um médio que fornece um código específico para que a pessoa possa descarregar», disse.
 
António Costa esclareceu também que «as pessoas não passam a ser alertadas de todos os novos casos». «Só de novos casos de pessoas que nos últimos 14 dias tenham estado a menos de dois metros de distância e mais de 15 minutos na proximidade dessa pessoa. Este alerta não significa que se esteja contaminado, mas serve com uma recomendação para ligar para o SNS 24 e pedir orientações», ressalvou.
 
«Chamo a atenção que esta aplicação é útil para alunos, docentes e outros profissionais das escolas. É importante que possa haver rapidamente um alerta em caso de necessidade. É muito importante também nas empresas de maior dimensão em que muitas pessoas estão em contacto, ou nos transportes públicos», acrescentou.
 
Situação de contingência para todo o território
 
O Primeiro-Ministro anunciou também que, tal como anunciado no final de agosto, a situação de contingência que vigorava na Área Metropolitana de Lisboa ia ser alargada a todo o território a partir de 15 de setembro.
 
«Temos consciência que vamos entrar numa nova fase onde as pessoas tenderão a regressar de férias e é necessário adotar medidas preventivas», disse, acrescentando que «muitas das regras da Área Metropolitana de Lisboa vão passar a vigorar para todo o País, com ajuntamentos limitados a dez pessoas e estabelecimentos comerciais a abrir a partir das 10 da manhã, com exceções como pastelarias, cafés, cabeleireiros ou ginásios».
 
António Costa enumerou também outras medidas como a limitação de quatro pessoas por grupo nas áreas de restauração dos centros comerciais, o alargamento da proibição de bebidas alcoólicas nas estações de serviço a partir das 20h00 e a proibição de consumo de bebida alcoólica na via pública para «assegurar que não se proporcionam situações de ajuntamento».
 
O Primeiro-Ministro realçou também as cautelas inerentes à reabertura do ano letivo – não só no contexto escolar mas também com os perigos de contágio nos movimentos pendulares – e reiterou a importância de serem cumpridas as recomendações de etiqueta de higiene.
 
Os ajuntamentos junto às escolas vão ser limitados também e qualquer estabelecimento num raio de ação de 300 metros de um estabelecimento de ensino terá uma limitação máximo de quatro pessoas por grupo. «É essencial para evitar a contaminação na escola e da família. Temos a responsabilidade de nos protegermos: colegas, professores, com quem nos cruzamos na rua, familiares…», afirmou António Costa.
 
Brigadas distritais de intervenção nos lares
 
O Primeiro-Ministro destacou a criação de brigadas distritais de intervenção rápida nos lares para a contenção e estabilização de surtos, e que vai envolver médicos, enfermeiros e técnicos de diagnóstico.
 
Haverá cerca de 400 pessoas entre 18 equipas que estarão operacionais até ao final de setembro com o objetivo de garantir que qualquer caso de contágio num lar seja mais facilmente detetado e garantido o isolamento.
 
António Costa realçou que de um universo de 90 mil utentes em mais de 2500 lares do País, existem apenas 631 casos ativos.
 
Indicações para as áreas metropolitanas
 
O Primeiro-Ministro salientou também que as Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto são mais propícias ao risco de contágio, devido à maior densidade populacional, e referiu que «é necessário fazer um esforço acrescido para evitar a concentração de pessoas, designadamente no uso de transportes públicos e locais de trabalho».
 
O Governo decidiu manter as medidas previstas em matéria de teletrabalho e aprovou na generalidade, para consulta com os parceiros sociais, medidas que visam a organização do trabalho em espelho, o assegurar o desfasamento horário e a redução ao máximo dos movimentos pendulares.
 
«Como temos dito desde o início, o acompanhamento desta pandemia exige leitura dinâmica para permitir o essencial: manter a pandemia controlada para criar condições para a recuperação económica e social do País. É condição essencial para proteção do rendimento das famílias, para proteção do emprego das pessoas, e proteger as pessoas».