Campanha de investigação Slipping 2020. Objetivo é avaliar a sobrevivência da cavala após rejeição pela pesca do cerco

Está a decorrer a campanha de investigação Slipping 2020 cujo objetivo é avaliar a sobrevivência da cavala após rejeição pela pesca do cerco; nesta campanha, uma equipa de investigadores do IPMA e do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) articula trabalho a bordo do navio de investigação Diplodus do IPMA e da traineira Mestre Horácio de Sesimbra.

A campanha Slipping 2020, a primeira de uma série a realizar no Projeto SARDINHA2020, vai avaliar alterações biológicas e fisiológicas e a sobrevivência da cavala pós-slipping baseada numa experiência no mar. Os dados do Programa Nacional de Amostragem Biológica do IPMA (PNAB) mostram que a cavala é uma das espécies frequentemente alvo de slipping no cerco (1). O seu interesse comercial tem aumentado nos últimos anos, em parte devido à redução da quota de pesca da sardinha.

Na madrugada de 22 de julho, a Mestre Horácio fez um lance à cavala, tal como faz normalmente, e simulou a operação de destombar a rede. Em duas fazes do recolher da rede, com a rede ainda larga e com a rede apertada durante alguns minutos, foram transferidas cerca de 250 cavalas para cada uma da jaulas experimentais fundeadas na costa de Tróia pelo Diplodus. Os cardumes de cavala vão continuar a ser monitorizados diariamente pela equipa que permanece no Diplodus até ao próximo dia 27.

Os dados desta campanha vão ser utilizados para discutir práticas para maximizar a sobrevivência do peixe após a manobra de destombar a rede com o setor do cerco e também para melhorar o aconselhamento científico do IPMA para a pescaria.

NOTA: Na pesca do cerco é praticada uma forma típica de rejeição, designada destombar ou desenvasar da rede (slipping em Inglês): o peixe cercado pela rede mas sem interesse para o pescador nessa ocasião, por razões de mercado, limites de captura ou de tamanho, permanece sempre dentro de água até ser libertado. Esta prática tem sido considerada pouco lesiva para o peixe mas vários estudos recentes baseados em experiências em cativeiro, nomeadamente com a sardinha, indicam que a mortalidade pode ser elevada e apontam formas de a minimizar (2,3).

(1) Feijó D, Marçalo A, Bento T, Barra J, Marujo D, Correia M, Silva A, 2018. Trends in the activity pattern, fishing yields, catch and landing composition between 2009 and 2013 from onboard observations in the Portuguese purse seine fleet. doi: 10.1016/j.rsma.2017.12.007.

(2) Stratoudakis Y, Marçalo A, 2002. Sardine slipping during purse-seining off northern. http://dx.doi.org/10.1006/jmsc.

(3) Marçalo A, 2009. Sardine (Sardina pilchardus) delayed mortality associated with purse-seine slipping: contributing stressors and responses. (Tese de Doutoramento), Faculdade de Ciências e Tecnologia. Universidade do Algarve, p. 189.






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