"O Regresso Aleatório". Una semana más, el oportuno análisis del profesor Costa

Una semana más, el profesor Costa analizó la actualidad del Sporting de Braga y algunas derivadas, en el acreditado portal deportivo ZeroZero. Una semana más, con la debida venia, nos hacemos eco de sus opiniones, siempre interesantes, en un texto muy bien construído.


"O Regresso Aleatório".
"O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião no ZeroZero de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.
O futebol tem mesmo o regresso previsto para o final deste mês. Trata-se de um regresso perfeitamente aleatório, uma vez que nas duas ligas profissionais só a primeira volta a jogar, ao passo que a segunda foi dada, prematuramente, como concluída. Os restantes escalões também foram terminados antes do tempo previsto. Efeitos da pandemia, que parece afetar também a mente dos decisores. Nas ligas europeias, regista-se a retoma da liga alemã, prevista já para o próximo fim de semana e que pode ser uma aprendizagem para Portugal e outros países, que ainda admitam jogar esta época. A aleatoriedade está bem presente nesta forma incoerente como uns países acabam as competições e outros decidem retomar.

As subidas e as descidas acontecem de uma forma perfeitamente ocasional e imprevista. Nunca o Vizela ou o Arouca pensaram que ter mais pontos que os líderes das outras séries poderia valer uma subida não planeada. Do mesmo modo acontecem descidas capazes de deixarem os nervos em franja aos clubes atingidos por uma decisão tão consequente, a lembrar os receios de uma qualquer gravidez indesejada. Alguns dos clubes despromovidos prometem reagir judicialmente, mesmo sob a ameaça das entidades gestoras do futebol, pelo que nos próximos anos deverão acumular-se resmas de papéis em processos, que um dia terminarão com uma promoção semelhante àquela que recolocou o Gil Vicente no escalão principal, onde se encontra atualmente, de uma forma aparentemente tranquila.

O tempo de pandemia será também o tempo de futebol na televisão, pois os adeptos parecem coisa de um passado longínquo. Dias estranhos aqueles que agora vivemos, escondidos por trás de uma máscara que nos possa proteger do vírus e daqueles que, na nossa mente, o possam albergar. Aos nossos olhos todos são suspeitos e todos merecem distância cautelosa.

Entretanto a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) promete reestruturar o futebol, com o reaparecimento de uma terceira divisão, reinando para já a confusão sobre a sua definição. Mas a ideia já foi lançada e deverá ser uma realidade já para 2020/2021, se até lá não surgir nada que contrarie tais intenções. A FPF e a Liga, com as decisões que tomam ou que são forçadas a tomar por aqueles que “comem tudo e não deixam nada”, parecem conduzir o país futebolístico para o seu lado mais caótico, do qual por norma já não dista muito.

O SC Braga continua a realizar a sua segunda pré-época, desenvolvendo os trabalhos na Cidade Desportiva, sempre com as maiores cautelas. Mas o facto de contactarem com os colegas e com a bola deixa, acredito eu, os atletas com a mente mais arejada e, por consequência, mais felizes. O treinador Custódio (dispenso o Castro, porque o nome é suficientemente marcante) trabalha com um grupo grande de jogadores que surge reforçado com três jovens da formação, o guarda-redes Hornicek e os avançados Yan Said e Miguel Falé, cujos futuros parecem promissores. Mas existem outros nomes de referência na academia, com qualidade para serem chamados a qualquer momento. Curiosa a história de Miguel Falé que durante sete anos viajou entre Évora, onde nasceu, e Lisboa, onde representava o Benfica, em viagens que representaram por certo um sacrifício muito grande, em busca de um sonho, que agora parece mais perto, ao serviço dos Gverreiros do Minho, onde já marcou 39 golos em 44 jogos, desde que chegou. Este menino, de apenas 16 anos, parece ganhar asas que o levem a altos voos. Aguardemos pelo futuro. Yan Said, filho da velha glória Wender Said, e o guardião checo parecem valores prontos a despontar em Braga. Os sonhos em Braga parecem concretizáveis, desde que o trabalho e o talento sejam conciliados em doses adequadas.

Mais uma semana decorrida e o SC Braga não recebeu o que estava contratualizado com o Sporting, pela mudança do treinador Rúben Amorim. Nada que preocupe demasiado os responsáveis leoninos, pois até o seu líder máximo já confessou que o seu banco lhe telefonara para reajustar prazos de pagamento, numa alusão à falta de um telefonema dos bracarenses que adiasse o pagamento do calote para a eternidade. Pulso firme, é o que eu espero de quem manda no meu clube.

As escolas secundárias vão reabrir parcialmente já no próximo dia dezoito. Até aqui parece uma decisão pacífica, uma vez que nós não devemos ter medo de viver, convivendo com este vírus que virou o mundo do avesso. A escassez de tempo até ao fim do ano e as regras apertadas já definidas para esse regresso aconselhavam que os alunos frequentassem, a título excecional, apenas as disciplinas a que vão realizar exame nacional, em vez de serem «forçados» a assistir às aulas de todas as disciplinas que constam da oferta nos exames nacionais. Faltou bom senso, mas pode ser que algo ainda seja alterado a bem de todos, especialmente dos alunos que, desse modo, se poderiam concentrar nas provas nacionais, que podem determinar o seu futuro.

El profesor António Costa